6 de setembro de 2023

Inclusartiz lança 2ª edição de seu programa de aquisição de obras de arte contemporânea na ArtRio 2023

Este ano, “Clube dos 25” conta com trabalhos de Heloisa Hariadne, Márcia Falcão, Nay Jinknss, Noara Quintana e Xadalu Tupã Jekupé

O Instituto Inclusartiz lança este mês, durante a ArtRio – que este ano será realizada entre os dias 13 e 17 de setembro –, a segunda edição de seu programa de aquisição de obras de arte contemporânea. Intitulado “Clube dos 25”, o projeto seleciona anualmente cinco artistas brasileiros proeminentes na cena nacional e internacional para desenvolver obras inéditas, de tiragem limitada, criadas unicamente para o programa.

Sob a chancela de Frances Reynolds, fundadora do Inclusartiz e membro do conselho de instituições renomadas, o Clube dos 25 pretende contribuir na formação de novos talentos, apoiar iniciativas do setor e arrecadar recursos para atividades no centro cultural do instituto e seu programa de residência artística.

“O projeto tem como objetivo colocar em evidência a produção artística destes talentos, assim como angariar recursos para o desenvolvimento do nosso Programa de Residência Artística e Pesquisa e de atividades em nosso centro cultural, pavimentando o caminho para um cenário cultural ainda mais promissor e inclusivo”, explica Frances Reynolds.

Em sua segunda edição, o clube contará com trabalhos de Heloisa Hariadne, Márcia Falcão, Nay Jinknss, Noara Quintana e Xadalu Tupã Jekupé; artistas com origens e pesquisas distintas entre si, mas que circunscrevem em seus trabalhos uma gama de questões em voga na arte contemporânea brasileira, revisitando a história mediante uma postura crítica em relação ao presente.

Os cinco artistas também já participaram anteriormente de projetos em parceria com o Inclusartiz. Em 2022, Heloisa Hariadne integrou o programa de residência artística da Bubblegum Gallery, em Joanesburgo (África do Sul), com apoio do instituto. Márcia Falcão apresentou recentemente a individual “Pai Contra Mãe” (2023) no Centro Cultural Inclusartiz. Nay Jinknss foi uma das selecionadas para o Programa de Residência Artística e Pesquisa do Inclusartiz no ano passado.

Noara Quintana foi a artista brasileira selecionada pela chamada aberta para residência na Delfina Foundation, em Londres, destinada a artistas da região Sul do Brasil realizada em 2022 por meio de uma parceria entre a instituição britânica e o Instituto Inclusartiz. Já Xadalu Tupã Jekupé foi o primeiro artista a ocupar o ateliê coletivo do instituto e também assinou a exposição de abertura do centro cultural em 2021, “Tekoa Xy ‘A terra de Tupã’”.

Os colecionadores que se afiliarem ao clube receberão, além das obras adquiridas, uma série de benefícios exclusivos, como uma visita guiada trimestral às exposições sediadas do Centro Cultural Inclusartiz; acesso privado aos open studios realizados com os artistas participantes do programa de residências; convites para eventos de inauguração das  mostras realizadas ou apoiadas pelo instituto; um jantar anual exclusivo para apoiadores e artistas vinculados ao Inclusartiz; e acesso à apresentação da pesquisa artística dos residentes.

Sobre as obras e os artistas

Heloisa Hariadne (Carapicuíba – SP, 1998)

Heloisa Hariadne vive e trabalha em São Paulo. Utiliza de suas pinturas para construir novos imaginários e narrativas a partir de diferentes temas que se desenrolam desde temáticas ambientais à nutrição, passando pelo resgate de saberes ancestrais. Seus trabalhos conectam em uma única dança as memórias de seu corpo. Suas pinturas questionam suas tentações e intenções em um retrato íntimo, compondo uma poética puramente traduzida em suas telas. Ao tentar responder a pergunta: “quem somos nós por dentro?”, Heloisa traça caminhos antes invisibilizados, gerando oportunidades de diálogos sobre a multitude que constitui cada subjetividade. Dessa incursão com nosso eu interior, a artista nos coloca em reconexão com o natural como forma de liberdade e desejo de novas compreensões do mundo.

Heloisa Hariadne
Vida que respira fora dentro do mar
[Life that Breathes Out into the Sea], 2023
Tinta a óleo
[Oil painting]
21 x 14,8 cm

Márcia Falcão (Rio de Janeiro – RJ, 1985)

Márcia Falcão nasceu no Rio de Janeiro, foi criada no bairro de Irajá e vive e trabalha no subúrbio carioca. Partindo da própria experiência, as pinturas figurativas da artista apresentam expressivas representações do corpo feminino, sublinhando a complexidade do contexto social em que este se encontra inserido, atravessado por uma paisagem dubiamente bela e violenta. O feminino, a maternidade, os padrões de beleza e a violência de gênero são temas recorrentes que perpassam suas telas, marcadas pelo gesto e pela fisicalidade.

Márcia Falcão
Rabo de Arraia, da série Capoeira Material
[Stingray’s Tail, from the series Material Capoeira], 2023
Gravura em metal sobre papel de algodão
[Metal engraving on cotton paper]
29,7 x 42 cm

Nay Jinknss (Ananindeua – PA, 1990)

Nay Jinknss é artista visual, educadora social e ativista LGBTQIA+. Documentarista há 13 anos, vive e trabalha em Belém do Pará, é graduada em Artes Visuais e Tec. da Imagem pela Universidade da Amazônia e atua como pesquisadora com foco em negritude Amazônica e narrativas decoloniais. Em suas documentações, utiliza a metodologia da fotografia compartilhada e do bem querer elaborada pelo fotógrafo e professor J.R. Ripper. Como artista-pesquisadora-educadora popular, seu trabalho é aliado aos direitos humanos, no qual se apropria de múltiplas linguagens a fim de rever não apenas o método e o padrão colonial em que estamos inseridos, mas também os dispositivos e instrumentos de se construir uma imagem.

Nay Jinknss
Maré Alta – Belém adormecendo nas margens do Guajará
[High Tide – Belém Falling Asleep on the Banks of the Guajará], 2023
Colagem digital impressa em papel de algodão Hahnemuhle PhotoRag 308 gsm
[Digital collage printed on Hahnemuhle PhotoRag 308 gsm cotton paper]
75 x 110 cm

Noara Quintana (Florianópolis – SC, 1986)

Natural de Santa Catarina, a artista Noara Quintana concentra-se na materialidade de objetos cotidianos e nos índices de histórias do Sul Global que eles carregam. Por meio de instalações e esculturas, seu trabalho aponta para trocas econômicas, formas arquitetônicas e narrativas contrárias ao legado de um imaginário colonial. Recentemente, integrou as exposições “Cultivo”, na Galeria Marli Matsumoto (São Paulo – SP); “11º Salão Nacional Victor Meirelles”, no MASC (Florianópolis); e “The Children Have to Hear Another Story – Alanis Obomsawin”, no Haus der Kulturen der Welt, em Berlim.

Noara Quintana
(Pequeno) Ladrão de borracha
[(Small) Rubber Thief], 2023
Algodão cru, grafite, tinta acrílica e borracha industrial
[Raw cotton, graphite, acrylic paint, industrial rubber]
40 x 45 cm

Xadalu Tupã Jekupé (Alegrete – RS, 1985)

Xadalu Tupã Jekupé é um artista mestiço que utiliza elementos da serigrafia, pintura, fotografia e objetos para abordar em forma de arte urbana o tensionamento entre a cultura indígena e a ocidental nas cidades. Sua obra tornou-se um dos recursos mais potentes das artes visuais contra o apagamento da cultura indígena no Rio Grande do Sul. O diálogo e a integração com a comunidade Guarani Mbyá permitiram ao artista o resgate e reconhecimento da própria ancestralidade. Nascido em Alegrete, Xadalu tem origem ligada aos indígenas que historicamente habitavam as margens do Rio Ibirapuitã. A revelação de seu nome espiritual guarani, Tupã Jukupé, em batismo Nhemongarai (ritual de nomeação), pelo centenário cacique Karai Tataendy Ocã, é parte da reconexão de Xadalu com sua ancestralidade indígena.

Xadalu Tupã Jekupé
Nhamandu rembietchara a jerojy “Dançando para o Sol”.
[Nhamandu rembietchara a jerojy “Dancing for the Sun”], 2023
Serigrafia sobre papel Hahnemuhle
[Silkscreen on Hahnemuhle]
78 x 106 cm

Serviço

ArtRio 2023 – 13 a 17 de setembro
Horário: 14h – 21h / Domingo 14h – 20h
Marina da Glória, Rio de Janeiro – RJ
Instituto Inclusartiz – Estande I 01
Mais informações em https://artrio.com/