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ARTE PARÁ SELECIONA HAL WILDSON PARA O PROGRAMA DE RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS DO INSTITUTO INCLUSARTIZ

Artista multimídia goiano foi escolhido por meio de parceria inédita entre o instituto carioca e a tradicional exposição paraense

Um dos principais fomentadores de arte contemporânea do país, o Instituto Inclusartiz elegeu, por meio de uma parceria inédita com o Arte Pará, tradicional mostra coletiva que celebra seu 40º aniversário este ano, o artista goiano Hal Wildson para integrar o seu renomado programa de residências artísticas. Com coordenação de Lucas Albuquerque, o projeto de pesquisa e desenvolvimento em artes, realizado na nova sede do Inclusartiz, na região portuária do Rio de Janeiro, inclui apoio curatorial personalizado, visitas a ateliês e instituições culturais, encontros com curadores e pesquisadores, apresentação de trabalhos, entre outras atividades.

Artista multimídia e poeta de origem mestiça, Wildson nasceu em 1991 no Vale do Araguaia, região de fronteira entre Goiás e Mato Grosso, lugar determinante para entender a origem e as motivações de seu trabalho. Sua pesquisa emerge de sua vivência no sertão do Centro-oeste dialogando com questões sociopolíticas que sustentam o Brasil. Desdobrando-se sobre o conceito de memória-esquecimento, identidade e a “escrita-reescrita” da história, o artista se apropria de materiais e processos de documentação que foram utilizados nas últimas décadas para registrar oficialmente a história do país, como a datilografia, datilograma, carteiras de identidades e carimbos. Suas obras ousam confrontar e disputar o poder do simbólico como alternativa de criar realidades mais justas.

“Meu trabalho investiga o campo da memória e do esquecimento como ferramentas de construção e reconstrução de narrativas coletivas e individuais, através de pesquisas no campo físico e digital. Busco imagens, textos e símbolos nacionais, numa investigação sobre o poder do simbólico como coluna que alicerça nossa existência. A forma técnica como documentamos e forjamos a realidade também complementa meu corpo de pesquisas. Cartas, livros, máquina de escrever e fotografia levam minha arte a um lugar de confronto entre o passado e o presente. O que o meu RG no bolso tem a dizer sobre mim? É por meio desse acúmulo de documentos e memórias que damos contorno à nossa forma de existir no mundo e à nossa ideia de identidade. Por outro lado, essas memórias também fazem parte de uma realidade moldada pela ficção e por projetos de poder e apagamento, pois estamos o tempo todo inventando uma realidade de nós mesmos e lidando com uma história oficial distorcida pelo olhar do opressor”, afirma o artista.

O Arte Pará surgiu do programa idealizado pelo jornalista Romulo Maiorana (1922-1986), no início dos anos 1980, com o objetivo de ser um espaço de apoio ao artista paraense e de promover um diálogo da região Norte com o resto do país, estabelecendo a presença da Amazônia no mapa das artes como um salão. Ao longo de suas edições ininterruptas, tornou-se um projeto de arte e educação nacional e lugar de troca intelectual entre artistas, curadores e agentes culturais, além de espaço de reflexão e crítica, que legitima jovens artistas emergentes.

Há mais de 20 anos, Paulo Herkenhoff, um dos críticos de arte e pensadores mais relevantes do país, está à frente do Arte Pará, como curador-geral do evento. Para ele, o Arte Pará tem “importante papel de socialização da arte, desenvolvido pelo processo educacional, muito mais que mercado de arte’’.