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MAXWELL ALEXANDRE APRESENTA OBRAS INÉDITAS EM SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL EM PARIS

Intitulado ‘Novo Poder’, projeto a ser inaugurado no dia 26 de novembro, no Palais de Tokyo, é um desdobramento de “Pardo é Papel”, mostra que popularizou o artista e foi viabilizada pelo Instituto Inclusartiz

Um dos nomes mais incensados da arte contemporânea brasileira, o artista Maxwell Alexandre vem conquistando cada vez mais o seu espaço no outro lado do Atlântico. No dia 26 de novembro, o jovem carioca criado na favela da Rocinha vai romper uma nova fronteira ao inaugurar sua primeira individual em Paris, a meca das artes visuais no mundo. Intitulado “Novo Poder”, o projeto com curadoria de Hugo Vitrani apresenta no Palais de Tokyo uma série de 42 obras inéditas. Contumaz provocador, Maxwell questiona a predominância dos brancos no universo da arte contemporânea e faz uma autorreflexão sobre o seu protagonismo no museu europeu. 

“Eu embranqueci. Este é o verdadeiro significado de mostrar meu trabalho em Paris, no Palais de Tokyo. Não é possível estar nesses espaços, com todo o prestígio que eu venho tendo enquanto artista, sem antes ter me tornado mais branco”, ironiza. 

O Instituto Inclusartiz foi um importante incentivador da carreira do artista desde a sua primeira grande exposição solo, a aclamada “Pardo é Papel”, de 2019, que, segundo Maxwell, foi o embrião da nova mostra. 

“Na série Novo Poder eu exploro a ideia da comunidade preta dentro dos templos consagrados de contemplação de arte: galerias, fundações e museus. Eu trabalho com ênfase em três signos, o preto, o branco e o pardo. O preto é manifestado pela figuração de personagens negros, envoltos pelo branco, o “cubo branco”, espaço expositivo, conhecimento acadêmico, se relacionando com obras de arte, o pardo, uma autorreferência ao próprio papel, suporte principal de pintura da série”, explica o artista. 

Na exposição, Maxwell traz corpos negros em cubos brancos, cenas de confronto com a polícia, correntes de ouro reluzentes, símbolos ligados ao futebol ou à igreja, revelando cartografias caóticas e a complexidade da vida carioca. Em paisagens com rostos inacabados, corpos se movem, dançam e se chocam. Cenas do cotidiano (do artista e de sua comunidade) se misturam a ícones da cultura pop (o negro Power Ranger), símbolos de publicidade e logotipos de marcas populares (Danone e seus laticínios, Capri e suas piscinas infláveis de plástico nos telhados das favelas) e personalidades icônicas, como os rappers Biggie Smalls e Tupac antes de matar um ao outro; Jay-Z e Beyonce que gravaram um videoclipe no Louvre; ou personalidades políticas como Marielle Franco.

“Às vezes, você precisa acertar o racismo na cara, mas não sou corajoso o suficiente para acertar alguém, então, em vez disso, eu pinto”, afirma Maxwell.

A exposição tem como alvo o mundo da arte contemporânea, o seu mercado e os seus cubos brancos, e outros “espaços brancos”, como territórios de poder onde a luta racial e social ossifica. 

“‘Pretos no topo’ virou slogan do rap local. Eu primeiro observei esse fenômeno à distância, depois quis mostrar sua implicação na arte contemporânea e destacar que aí estão os vencedores porque é aí que o capital intelectual está concentrado. Não se trata apenas de dinheiro, mas de controlar a narrativa e a imagem. Ocupar e controlar esses espaços é consequência de uma aliança poderosa. Nós, negros, devemos estar atentos a esses lugares pensados para que não os possamos ver. Devemos estar fisicamente presentes, assistir a inaugurações, ir a galerias e museus, aprender sobre arte e consumir cultura em todas as suas formas”, pondera o artista.