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A CONVITE DO INSTITUTO INCLUSARTIZ, ARJAN MARTINS COMPLETA METADE DA RESIDÊNCIA ARTÍSTICA DE TRÊS MESES NA PRESTIGIADA RIJKSAKADEMIE

Além da estada na Holanda, temporada de pesquisa na Europa contemplou passagens por cidades medievais francesas, uma visita reservada ao Louvre e um encontro com o arquiteto Christian Portzampark

Vencedor do Prêmio Pipa de 2018 e um dos destaques da Bienal de Arte de São Paulo deste ano, o artista Arjan Martins desembarcou na Holanda em setembro para uma residência artística de três meses na proeminente Rijksakademie. A temporada do carioca na principal academia de artes do país, que já está há mais de 150 anos em atividade, contou com o apoio do Instituto Inclusartiz.

“O Instituto Inclusartiz vem sendo fundamental para a minha projeção, um artista afrodescendente com mais de 60 anos de idade, ao me convidar para essa residência artística. E esse clima em que hoje me encontro na Europa me possibilitou uma introspecção sobre a minha pesquisa”, afirma o artista, que já começou a converter a experiência em novos estudos. “Muitas dessas introspecções e reflexões eu já percebo migrando para alguns quadros que já se encontram montados em linho no espaço renascentista do ateliê da academia”, revela.

Legenda: Grupo de artistas residentes da Rijksakademie na ilha de Schiermonnikoog (Holanda).

A programação da residência oferece uma série de workshops e palestras comandados por especialistas de suas áreas, em laboratórios com equipamentos de última geração para todos os suportes imagináveis. 

“Se o artista é um pintor, por exemplo, ele tem acesso a um laboratório com a assistência de um técnico bastante sofisticado, digamos assim, que pode apresentar uma paleta de cores que você não vê necessariamente em todos os lugares. Pode-se aprender também a manipular equipamentos de última geração, desenvolvidos para artistas que apreciam determinado tipo de suporte, como a madeira ou o metal, ainda que a sua produção esteja mais voltada para outra mídia. É uma grande porta para quem esteja transitando por outros suportes, no espaço mais tridimensional. Tem também uma oficina que opera com impressoras muito sofisticadas, em que o artista pode, a partir dali, desenvolver milhões de técnicas possíveis”, conta Arjan, cujas telas sobre as diásporas e os movimentos coloniais ocorridos em territórios afro-atlânticos integram coleções de museus brasileiros e do exterior.

Embora Arjan estivesse majoritariamente concentrado na academia holandesa, a residência permitiu também que ampliasse o estudo para além das fronteiras do país. O roteiro europeu contemplou o sul da França, com passagens por cidades medievais e pesquisas sobre artistas da época, bem como Paris, onde teve a oportunidade de trocar experiências com o renomado arquiteto Christian  Portzampark, a quem assinou um exemplar de seu livro, e teve a oportunidade de fazer uma rara visita reservada ao Louvre, por conta dos protocolos sanitários da pandemia.

Legenda: Na passagem por Paris, Arjan Martins no estúdio residência de Roberto Cabot (a esquerda), ao lado do arquiteto Christian Portzampark.

“Quando você se encontra numa residência de três meses na Rijksakademie, que traz uma escola de pintura bastante intensa, haja visto no Rijksmuseum, você faz o ponto de contato com toda a escola do país e também com uma ampla cena internacional. Nesse aspecto, também foi muito enriquecedor a passagem pela França. Nesse período pandêmico, poder fazer uma reserva no Louvre e poder ter a Gioconda na minha frente, só para mim, sem uma ilha de pessoas na frente, é algo inesquecível”, diz.